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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Autorização!

Existem escolas cujos portões
são verdadeiras tesou-
-ras -ras -ras
prontas para nos mutilar na
entrada e na saída


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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O jardim

Uma planta crescia na casa
regada a água sol e poeira
ao vento balançava-se tímida
com medo talvez de curvar-se para o eterno abismo

O tempo com sua catarata
de segundos minutos e horas
fez diminuta a planta que crescera

Atrofiada suas raízes
a planta tornou-se
algo ressequido no canto da sala
a casa nunca teve jardim

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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Massacre em Colômbia


 Por que caminhamos ao encontro da dor,
 Mesmo sabendo que a sua onipresença é inegável?
 Meus olhos nublam-se, diante da crueldade premeditada.
 Os pincéis de Botero derramam a notícia:
 Com sangue se escreve a irracional história humana.

 Sinto o odor rubro desses corpos cheios de nada!

 Dentro de mim, um monstro esquelético rumina a morte desnuda.
 Lá fora, o chão líquido debaixo dos corpos,
 Diante dos meus olhos, o desfazer da construção.

Sinto uma dor profunda que não dói em mim.
Mas como dói, esse massacre que ceifa a nossa fugaz imortalidade.
Dentro de mim, um monstro se esconde.

Vibram-se as cores: um flagra.
Nestes corpos roliços: eu, você, o mundo.
Entranhas recheadas de dor.

Sopros perdidos, o chumbo e a pólvora voam livres.
Ecos silenciosos.  Eles ainda dormem.
Mas enquanto isso as coisas acontecem: 

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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Viver

Viver não é simplesmente existir.
A morte existe, por exemplo.
Passar a vida em passos
Ausentes é
inexistir.

Conduzir-se, portar-se, proceder?
Ora, isso são normas de manuais!
Viver não é conservar-se. Antes,
É dispor energia
 em
corpo
 dúbio.

Não é o processo do que está vivo e
 perdura.
É um mágico parêntese, que é o sempre no nunca.

Viver é existir fora de.

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domingo, 11 de maio de 2014

Os olhos ardentes da alma

Hei de concordar com o poeta Benedetti:
Mesmo que o dia seja embriagado por amnésia,
Sempre existirão os olhos da alma.
E é assim que a mão escreve.

O que fiz nos meus dias?
O tempo rasura a memória,
Mas as lembranças são
Também presença do esquecimento.

Não conservarei intacta a paisagem, mas
O sorriso, o abraço e o afeto estão
Conservados no calor da memória
E é assim que se tem de volta a
Dor ou alegria.

Convenço-me enfim de que a
Máquina em meu pulso não
Guarda o tempo.

Na minha mão:

Os olhos ardentes da minha alma.

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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Palavras

Quando o mundo era grande:
O patinho feio, chapeuzinho vermelho, os três porquinhos.
Quando o mundo era confuso:
Homem-Aranha, A Liga da Justiça, X-men.
Quando o mundo se desenhou infinito: Literatura.

Agora sei, a mágica de crescer é alimentar-se com palavras.

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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Sensações

Alguém morre,
Caem lágrimas.
Mas, sempre há motivos
Para sorrir. Alguém
Abre um sorriso.
Inventamos essas perturbações.
Nos distraímos:
Entre lágrimas e sorrisos,
O tempo.

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terça-feira, 1 de abril de 2014

Explicação de minha dor

Há dois muros se movendo contra mim, mas
Estou paralisado com o seu adeus.
Meu coração aflito, se exposto fosse,
Inundaria o mundo com a dor
Que só afoga a mim.

Ela partiu!

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O Presente

Ganhar um livro volumoso é ganhar um labirinto perigoso, onde cada entrada tem saídas... para entrar ainda mais no labirinto que há em mim.

Ah! Minha gente, ganhar um livro volumoso é ter a certeza de que a cada vencer de página, ficamos leves novamente.

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Uma Noite (in) feliz

Na esquina, a pobreza instalava-se fétida.
O chão limpo como o céu,
Naquele negror sem estrelas.

Cá, a alegria rompe o portal translúcido.
Para trás... cores amarelas, vermelhas (vibrantes, vivas!)
E quadros deliciosos...

Ao morder seu pedaço de mundo, a alegria
Debilmente exclamou para o nada:

Eu amo muito tudo isso!

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sábado, 29 de março de 2014

Incomunicável

Corpos dilacerados se amontoam na TV.
O sangue escorre em alta definição: é possível ver!
Mas há um fino vidro entre os mortos e os vivos.

O pequeno rádio aposentado descansa no alto da estante,
Coberto por um delicado lençol de sujeira: a poesia dorme inquieta.

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terça-feira, 25 de março de 2014

Com Trastes

Eu sou vandalismo,
Ela agora é a lei.
Antes, eu lia poesia...
Ela não? Não sei...

Eu que ouvi "oguns" toques agora a pouco, saio á rua com um sorriso colmeia.

Ela que agora é a lei, anda armada com onomatopéia.

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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Incompreensível


A vida brota questões indecifráveis:

Amor,
Dor,
Rancor.

Certeza de que as incontáveis horas germinam somente... a seleção

Indelével do nada.

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A circunferência da paz

Ela sorri – a cólera se esvai pela
Indecência cadente que habita em
Mim. Mas agora, outros tempos. Ela
Sorri – e exatos três segundos de
Paz, 
nada mais.

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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A Palidez da Vida

Entre meus dedos
Escorregam as cores da vida.
Silêncio.
Sem exclamação, as cores se vão...
E o malabarista assiste atônito a sua queda.
Nada                        
Pode ser feito quando as cores resolvem
Partir.
Quando o pulsar sessa a matiz - A vida empalidece.
Ou talvez, só talvez, meus olhos embotados em lágrimas
Não consigam enxergar além da nuvem de fumaça, onde leio:
Adeus!

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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Tão Completamente...

Todas as sensações me envolvem.
Estático (busco o equilíbrio de minhas forças!).
Capturo rostos mortos. Passado-presente-passado.
Extenuado com o devir.

Amor, onde está você? Estou assustado.
Outros olhos querem cortar meu corpo, tornar-me pedaços.
Caminho a passos leves, como um felino carrego as memórias das sobrevidas:
O cheiro, o riso, o gesto ingênuo, a palavra não dita... Mal dita!

Enquanto meus olhos permanecem abertos, eu não vejo. É preciso apagar a luz da memória ou aplicar um choque ao coração?

Hipnotizado... Sorrisos e lágrimas e lembranças – onde estivemos quando estávamos aqui? Silêncio.

A psique resiste acionada, repetindo sentimentos fortes que a deixam desconfortável.  O que eu espero está em partes comigo em partes com ela. Existe uma grande diferença entre os conceitos de bonito e belo: A beleza atravessa a paisagem maquiada e emana de nossos corações.
Não é possível mais dizer eu te amo, não é isso?
Não é isso.
Não é isso.
Não
É
Isso.


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terça-feira, 18 de junho de 2013

Atravessar até o Sol

Quando você me envolve em teus braços...
Sinto-me como um segredo adormecido em teu peito,
Flutuante em teus pensamentos...

Hoje sou como um barco à deriva.
Estar perdido é encontrar-se indefinido.

Às vezes, vacilante, meus olhos desabam com o peso do mundo.

No balançar dos meus temores
Você me oferece abrigo,

Pouso minhas mãos em teus raios de sol.

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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Amor Exilado


Os dias nos roubam os dias.
Você está de costas para mim.
Quero tocar em seu ombro, beijar tua face em tempo indefinido.

O medo rasteja aos meus pés.
Meus passos são lentos. Você tem pressa?
Seremos importantes... Para quem?

O amor é um mendigo faminto que sorri para a lua cheia enquanto engole a vida.

Todos os caminhos derramam lágrimas e risos.

Estendo a minha mão...

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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Você pode voar


Tuas asas flutuam...

O vento generoso carrega o seu doce cheiro até o meu pobre coração.

Você está aqui, bem aqui, posso senti-la, querida - seus lábios desenham um lindo sorriso, eu vejo.

A queda não pode me impedir de enxergá-la... As lágrimas não podem me impedir de enxergá-la...

O vento é meu amigo - te banhará com pétalas de jasmim.

A noite está fria, mas eu não estou triste.
Porque a saudade é como pular no abismo
 e esperar o bater de tuas asas.

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terça-feira, 23 de abril de 2013

Construção


Meu corpo-concreto suspende no ar um sonho vindouro.
Estendo meus músculos até o limite. Ultrapasso-o.

Minhas mãos carregam montanhas.

Quem se importa com o risco de sangue em mim?
Amanhã acordarei as dores que carrego, e como um nó cego,
Será difícil desatar.

É hora de dormir...
Porque o sono constrói sonhos.

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