domingo, 11 de maio de 2014

Os olhos ardentes da alma

Hei de concordar com o poeta Benedetti:
Mesmo que o dia seja embriagado por amnésia,
Sempre existirão os olhos da alma.
E é assim que a mão escreve.

O que fiz nos meus dias?
O tempo rasura a memória,
Mas as lembranças são
Também presença do esquecimento.

Não conservarei intacta a paisagem, mas
O sorriso, o abraço e o afeto estão
Conservados no calor da memória
E é assim que se tem de volta a
Dor ou alegria.

Convenço-me enfim de que a
Máquina em meu pulso não
Guarda o tempo.

Na minha mão:

Os olhos ardentes da minha alma.

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