sexta-feira, 23 de maio de 2014

Massacre em Colômbia


 Por que caminhamos ao encontro da dor,
 Mesmo sabendo que a sua onipresença é inegável?
 Meus olhos nublam-se, diante da crueldade premeditada.
 Os pincéis de Botero derramam a notícia:
 Com sangue se escreve a irracional história humana.

 Sinto o odor rubro desses corpos cheios de nada!

 Dentro de mim, um monstro esquelético rumina a morte desnuda.
 Lá fora, o chão líquido debaixo dos corpos,
 Diante dos meus olhos, o desfazer da construção.

Sinto uma dor profunda que não dói em mim.
Mas como dói, esse massacre que ceifa a nossa fugaz imortalidade.
Dentro de mim, um monstro se esconde.

Vibram-se as cores: um flagra.
Nestes corpos roliços: eu, você, o mundo.
Entranhas recheadas de dor.

Sopros perdidos, o chumbo e a pólvora voam livres.
Ecos silenciosos.  Eles ainda dormem.
Mas enquanto isso as coisas acontecem: 

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