Massacre em Colômbia
Por que caminhamos ao
encontro da dor,
Mesmo sabendo que a sua
onipresença é inegável?
Meus olhos nublam-se,
diante da crueldade premeditada.
Os pincéis de Botero
derramam a notícia:
Com sangue se escreve a
irracional história humana.
Sinto o odor rubro
desses corpos cheios de nada!
Dentro de mim, um
monstro esquelético rumina a morte desnuda.
Lá fora, o chão líquido
debaixo dos corpos,
Diante dos meus olhos,
o desfazer da construção.
Sinto uma dor profunda que não dói em mim.
Mas como dói, esse massacre que ceifa a nossa fugaz
imortalidade.
Dentro de mim, um monstro se esconde.
Vibram-se as cores: um flagra.
Nestes corpos roliços: eu, você, o mundo.
Entranhas recheadas de dor.
Sopros perdidos, o chumbo e a pólvora voam livres.
Ecos silenciosos. Eles
ainda dormem.
Mas enquanto isso as coisas acontecem:

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